06:55
Não adianta negar -- o verdadeiro esporte bretão não é o futebol, nem o críquete, nem o rugby, muito menos a Fórmula Um ou as corridas de cavalo. A competição que mais alegra o povo é... quem tem o jardim mais bem cuidado.
E põe competição nisso. Na minha rua, se um vizinho planta um cacto, semana que vem um outro aparece com uma planta carnívora e assim por diante. Mesmo os bairros mais pobres tem seus jardins com toda sorte de enfeites, flores e parafernália. Eu moro em prédio e não me permitem ter floreiras na janela, de modo que eu quando muito tenho vasinhos de flores na cozinha e ramos de salsinha e coentro em baldes.
Ontem fui com o
alquimista passear em uma flora perto de casa. Um monte de coisas para vender, rosas de duzentos tipos e cores, estufas para quintal que parecem ter saído de um filme do
Wallace & Gromit. Bom para descansar os olhos. Quando a senhoria não estiver olhando, acho que vou plantar uns pimentões no pátio do prédio. Vai que dá certo!
04:42
Por aqui, a temporada do futebol é no outono/inverno (setembro a março). No que eles chamam de verão, tem o campeonato de tênis, a corrida de Fórmula Um, as corridas de cavalo, os campeonatos e desafios internacionais de críquete e rugby.
De críquete não entendo quase nada, embora mais de uma boa alma já tenha se esforçado para me explicar. Rugby, entendo um pouco mais, tenho amigos que jogam, mas não curto.
Não sou chegada em tênis, mas acompanho esporadicamente. Meus pais jogavam bastante quando eu era menor, portanto eu sei as regras e tal. E o Aberto de Wimbledom é uma dessas coisas impossíveis de não acompanhar: os obrigatórios uniformes brancos, única quadra de grama do circuito oficial, venda de morango com creme nas arquibancadas, a eterna esperança inglesa se desfazendo nas quartas-de-final (não ganha um tenista britânico desde 1932 entre os homens, 1977 entre as mulheres), a ameaça de chuva, o pessoal sem ingresso assistindo do morro ao lado (com direito a acampamento, faixas e cidra)... Chega até a dar saudade quando termina.
Daqui a pouco tem Silverstone e isso me anima. Mais acampamento, mais "esperança britânica" (será que o Hamilton desencanta?), show de rock no paddock (certo ano teve até o Damon Hill tocando guitarra, o que iniciou a suspeita entre os beatlemaníacos que ele é na verdade filho do George Harrison), mais ameaça de chuva. E sem Galvão Bueno, o que é, pelo menos para mim, vantagem.
E ainda tem as Olimpíadas em agosto. A honrada esportista-de-sofá aqui já está arranjando almofadas novas e estocando biscoitos e chá para as próximas atrações.
17:09
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Rádio Mistral FM
04:54
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Mondo Mistral
Minha mãe manda pacotes com comida brasileira de quando em vez. Nada de muito exagerado: massa para pão de queijo e bolo de fubá, Café Decente (com merecidas maiúsculas), às vezes bananadas ou biscoitos ou qualquer coisa do gênero.
Antigamente, eles eram revistados pela aduana britânica, mas chegavam inteiros. O penúltimo pacote foi aberto pelo Customs, mas o conteúdo estava intacto.
Hoje, todos os pacotes vieram rasgados e remendados. Tinha pó de café espalhado pela caixa toda -- o que significa que tem pó de café pela cozinha inteira, porque abri a encomenda com pressa. Imagine que a aduana abriu até alguns Sonho de Valsa para ver se tinha coisa dentro! O único item que passou longe de tesouras foi o pó para pão de queijo, nem imagino o porquê.
Eu sei que é importante a vigia contra as drogas e tal. Mas, tipo, aqui é o interior da Inglaterra. Que tipo de tráfico os caras acham que minha mãe seria capaz de fazer? OK, café brasileiro é tão forte que deve ser considerado droga excitante, mas ainda assim, caramba - podiam pelo menos ter deixado os chocolates inteiros!