08:40
Ainda falta ligar o gás, instalar internet e telefone - e a geladeira só chega na sexta (eu acho). Mas tendo microondas e pizzarias próximas, ninguém morre de fome // Ponto de ônibus próximo me deixa perto de tudo; metrô a dez minutos de caminhada; bairro japonês logo ali. Ou seja, estou instalada.// Os sofás que estão saindo pela hora da morte ou sou eu que estou sem grana, ou os dois ao mesmo tempo? // Chegaram a mesa e as cadeiras da sala. E uma poltrona para ler - na qual eu só consigo cochilar, de tão cômoda que ela é // E no mais eu estou adaptando o lugar ao meu modo de ver e viver, uma toca para chamar de minha no segundo andar de um prédio em algum lugar da cidade.
18:54
Eu dei trabalho para nascer, de acordo com minha mãe: vim para o mundo adiantada, cordão enrolado no pescoço, com pressa para ver o que era aquele lugar barulhento que eu ouvia ainda na barriga da dona Maria do Carmo.
Apesar dos pesares, gostei do lugar barulhento e por ali fixei barracas. Já que cheguei, por aqui pretendo ficar por bastante tempo. Mais uma volta em torno do Sol e vamos embora. Não sou muito de festa, prefiro comemorar em silêncio. Ou pelo menos o máximo de silêncio que eu consigo fazer - o que, digamos, não é lá grande coisa...
20:19
Porque eu não tenho reino nem terreno - e do jeito que estão os preços, pelo visto também não hei de ter sofá tão cedo!
20:29
Móveis, com seus devidos montadores, chegaram hoje. Barulho a não mais poder, poeira a não mais poder - e, para meu azar, o chão de tacos riscou um tanto. Mas tudo bem - pelo menos o lugar está ficando com ar de "lar". É um ótimo começo, apesar de toda a balbúrdia.