Enquanto isso, o mundo...

13:55 1 Comment »

Cartum: Clay Bennett

A tocha olímpica passa pelo mundo e os protestos contra a China vão junto.

No fundo, no fundo, eu acabo pensando nos atletas para quem esta Olímpiada pode ser a única chance de conquistar aquilo pelo qual eles se prepararam, muitas vezes, a vida toda. Entre protestos e boicotes e outras formas de reclamação, pode calhar do esforço deles cair no vazio. Que culpa eles tem que o espetáculo vai ser num país pouco chegado em atos democráticos?

Quero ver que protestos surgirão quando os Jogos vierem para Londres, que é culpada (junto com os EUA) pela 2a. guerra ao Iraque, Afeganistão, colonialismo e o diabo de calças listradas...!

(e antes que perguntem - claro que acho um absurdo a Olimpíada ser em Pequim por todos os motivos conhecidos; não teria outra forma de boicote senão ignorar as notícias sobre os Jogos mas, sejamos francos, isso é praticamente impossível...!)

Surfando radiofônicamente falando

13:08 2 Comments »
Esportes e rádio, quanto da minha infância não nasceu a partir desta combinação.

Meu pai não admitia conversa no carro quando voltávamos de passeios aos domingos: ele dirigia ouvindo os jogos do Corinthians na transmissão da Jovem Pan AM e, torcedor roxo que era, xingava e sofria como se os onze em campo fossem parentes próximos.

Nas Copas do Mundo, meu tio vivia com o rádio ligado, mesmo quando já estavam mostrando o jogo na TV. Um amigo meu faz a mesma coisa atualmente -- o que ocasiona uns problemas por causa do delay: quando, na TV, o jogador vai bater o pênalti, no rádio já anunciam que ele chutou para fora. Um desespero.

Olimpíadas, corridas de Fórmula Um... até luta de judô eu já acompanhei pelo rádio, viajando da casa da minha avó até São Paulo (ou vice-versa) ou longe, de maneira geral, de uma televisão. Hoje foi o Grande Prêmio do Bahrain e eu ouvi pelo BBC 5 Live, uma das estações de rádio daqui (já que não tenho TV em casa).

Não foi tão divertido quanto uma narração do Téo José, claro, mas deu para se divertir. Na próxima, vou ver se o site da Jovem Pan AM funciona e vamos de nostalgia radiofônica mais uma vez.

Mondo Mistral: coisas que eu não entendo nos ingleses

12:03 Posted In 2 Comments »
Por que diabos eles precisam beber tanto para "se divertir"? Sério, senhores: se beber fosse esporte olímpico, os ingleses seriam uma potência esportiva.

As lojas vendem casacos e capas de chuva das cores mais maravilhosamente exdrúxulas. Quando chove, porém, tudo o que você vê é uma imensidão de casacos pretos. No máximo um cáqui. E eu com minha mackintosh vermelho-cobre passo por atração turística.

Por que as mulheres usam tanta maquiagem? Aqui tem um apelido: war paint, pintura de guerra. Parece que elas passam base com a pá de pedreiro! E vai gostar de sombras chamativas no inferno: aqui, aquele azulão 1984 é uma coisa comum.

E como é que elas conseguem sair de minissaia e top sem mangas num frio negativo?

Como um povo educado e em geral gentil consegue produzir tantos hooligans e hoodies e toda a sorte de delinqüentes juvenis (e alguns já senis)?

Por que eles precisam classificar todas as coisas e todo mundo? Outro dia, tive que responder um questionário e apareceu "origem" na lista. Tinha umas dez opções para ascendência e nenhuma que descrevesse um brasileiro (ou latino-americano, que seja!). Acabei colocando que era "mestiça/outro", porque até explicar tudo ia pelo menos meia hora.

E, claro, a dúvida que mais me assusta: por que eles comem abacate com pimenta e camarão na salada?! Quando eu contei que na minha terra abacate se come com açúcar ou mel, o pessoal quase caiu duro para trás. Eles acharam que eu era a exótica -- e cá estou eu achando que exóticos, my dears, são eles...!

Visto no meu caminho para o mercado

05:27 0 Comments »
Um ninho de caramujos, no tronco de uma árvore. Pelo menos parecia um ninho, com uns quatro ou cinco caramujos dentro de um buraco numa macieira próxima.

A senhora que leva cinco labradores para passear.

Crianças com patins, aproveitando a folga de Páscoa (que termina na semana que vem).

Os alunos da Universidade indo escrever seus trabalhos, num belo dia de sol. Já passei por isso -- é de dar raiva, mas que jeito?

O lago, povoado com um casal de cisnes, um monte de patos de diversas plumagens, quatro ou cinco pescadores, seis ou sete pessoas levando cachorros, crianças ou os dois seres para dar uma volta.

O carrinho de limpeza da Universidade, amarelo-fosforescente com um adesivo do Norwich City FC.

Coelhos para todos os lados. As gaivotas, pelo visto, voltaram para as praias (o que contribui para o irritante silêncio do campus).


E eu vou pegar meu livro e vou ler um pouquinho debaixo do tímido sol, lá no meu banco preferido perto do lago.