Pátria Amada

11:01 2 Comments »
Minha pátria não é a do RG nem a do passaporte (os dois verdes, com fotos que não se parecem lá muito comigo). Minha pátria é o que está ao meu redor, são os meus sentidos.

Os amigos que estão perto e os que estão longe. Os afundados em trabalho e os que procuram um trabalho. Os que falam comigo em idiomas distantes e até mesmo os que não falam mais comigo por nada e por tudo.

O céu de primavera de São Paulo, o céu de outono de Norwich. O vento encanado das estações de metrô, o barulho das ruas, os aviões e os detalhes da Terra que segue.

A voz dos meus oiseaux de nuit, de todas as divisões e de nenhuma em particular, que me sussurram palavras de ordem, de doçura ou amargura; que me movimentam e me fazem compreender que ainda existe alguma coisa dentro da alma cansada da repórter.

Minha pátria é inventada, inexistente fora da minha cabeça; e ainda por cima finita, posto que quando eu partir deste mundo ela se esfacelará para o território do nunca mais. Nem melhor, nem pior do que nada, tampouco comparável a outras pátrias imaginárias.

Simplesmente, conscientemente, é a pátria que eu escolhi para mim.

2 comentários:

João disse...

Oi Anna.
Ficou boa a tradução de "Le monde est stone". A letra é bem deprê e fiquei curioso para conhecer o roteiro do musical do qual ela fez parte. A voz do
Garou é realmente bem forte.
Curiosa esta visão de pátria. Bom para pensar.
Beijo

Anônimo disse...

Pátria é onde a gente está com quem a gente ama. Por isso a gente vive na menor república do mundo.